quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

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Cromossoma Y, característico do sexo masculino, é muito mais pequeno que o X
Cromossoma Y, característico do sexo masculino, é muito mais pequeno que o X
Janeiro 2010 - 22h59

Cientistas contrariam estudo anterior que definia cromossoma Y como responsável pelo fim da humanidade

Cromossoma masculino pode ditar futuro da raça humana

Um recente estudo científico sobre o cromossoma Y, frequentemente associado a um declínio da evolução humana que poderá levar à extinção do Homem, revela agora que teoria afinal pode ter sido demasiado exagerada.

A investigação indica que, longe de estagnar, o cromossoma masculino tem afinal evoluído de forma mais rápido que as outras partes constituintes do código genético.

Na maior parte dos mamíferos, o sexo da sua descendência é determinada pelos cromossomas X e Y. As fêmeas têm dois cromossomas X enquanto os machos têm um X e outro Y, sendo o Y responsável pela continuação do sexo masculino. Originalmente, há 300 milhões de anos, os cromossomas X e Y eram idênticos, mas ao longo dos tempos o cromossoma masculino encolheu, tornando-se o cromossoma mais pequeno do ser humano.

As mudanças ocorrem sem interferências e não existe um processo de troca de genes para garantir a integridade do código. Devido a estas alterações, os cientistas começaram a sugerir que este se iria extinguir em pouco mais de 125 mil anos, conduzindo ao fim do sexo masculino e, consequentemente, ao fim da raça humana.

No entanto, uma comparação entre o cromossoma masculino do homem e do chimpanzé, revelou grandes diferenças. Os resultados, divulgados agora na revista ‘Nature’, revelam que os cromossomas estão a evoluir de forma rápida e dinâmica. O ADN dos chimpanzé difere, por norma, apenas dois por cento relativamente ao do ser humano, mas quando uma equipa de investigadores do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (primeiros a efectuar a sequência do cromossoma Y em 2003) comparou os genes masculinos dos dois seres verificaram que estes diferem em 30 por cento.

“Esta pesquisa mostra que o cromossoma Y não está, necessariamente a regredir, mas em pleno processo de evolução”, afirma Robin Lovell-Badge, professor do Instituto Nacional de Pesquisa Médica de Londres, especialista no estudo do cromossoma Y, embora não tenha estado envolvido nesta investigação.

Já David Page, membro da equipa de Massachusetts, comparou o processo a um edifício que está em construção.

“As pessoas estão a viver numa casa, mas há sempre uma divisão que está constantemente a ser demolida e reconstruída”, disse o cientista, mas esta “não é uma norma para todo o genoma”, acrescentou.

Vários factores podem ser responsáveis pela à rápida evolução do cromossoma Y. Primeiro, o processo utilizado pelo cromossoma Y para reparar os seus genes é, provavelmente, menos eficiente que os mecanismos de reparo utilizados pelos outros cromossomas do restante genoma, o que pode levar a frequentes mutações.

Estas mutações são depois alvo de uma maior pressão de selectiva do que o restante código genético, devido ao facto do importante papel desempenhado pelo cromossoma Y na produção de esperma. Qualquer mutação vantajosa será preservado aumentando o nível de fertilidade, enquanto as restantes são apagadas do código genético.

Esta descoberta é suportada pelas partes do cromossoma encontrados na produção de esperma do Homem e do chimpanzé serem muito diferentes.

“Este trabalho mostra, claramente, que o cromossoma Y é muito engenhoso na utilização de diferentes ferramentas do que o restante genoma, o que prova que o cromossoma ainda está em evolução”, afirmou Wes Warren, cientista da Universidade de Washington, em St. Louis, e um dos integrantes da equipa pesquisa.




Luís Murteira Nunes
Inf - Correio da Manhã

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