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domingo, 26 de abril de 2015

Ovnilogia na história de Portugal "Super Interessante"

Portugal e os Ovnis

Em Portugal, a adopção do termo disco voador por parte da imprensa e da população em geral, para descrever fenómenos aéreos não identificados que começaram a ser relatados no meio do século passado, teve origem na expressão flying saucer, criada pela mídia norte-americana após o avistamento do piloto Kenneth Arnold, em Junho de 1947.

À medida que surgiam mais relatos na imprensa portuguesa, descrevendo manifestações aéreas inusitadas e com formas e características variadas, o uso do acrónimo OVNI, de objecto voador não identificado – tradução directa do termo unidentified flying object – tornou-se necessário.
Hoje em dia, o termo OVNI é o mais utilizado pela população do país para descrever o fenómeno ufológico, estando, no entanto, muito associado à hipótese extraterrestre. Existe, contudo, outra denominação que começa a ganhar alguma notoriedade no país, a sigla FANI, de fenómeno aéreo não identificado, cuja utilidade reside na constatação de que uma grande percentagem dos avistamentos não corresponde exactamente àquilo que poderia ser designado como um objecto. possível encontrar relatos de ÓVNIS na própria história da formação de Portugal.

No país, a observação de fenómenos aéreos de difícil identificação remonta a épocas muito anteriores ao século XX.
No entanto, é de se salientar que, durante muitos séculos, a maior parte dessas ocorrências foi interpretada e vivenciada como manifestações religiosas.
Podemos então identificar dois tipos de observações: aquelas que remetem desde logo para a religião e aquelas que, desde o primeiro momento, se viram sempre envoltas em dúvida e mistério.
Do primeiro tipo, as de interpretação religiosa, geralmente designadas como aparições, existem muitos casos conhecidos, sendo que alguns deles estão verdadeiramente entrelaçados com a história portuguesa. Um bom exemplo é a lenda que relata a aparição de Jesus Cristo a dom Afonso Henriques, que viria a ser o primeiro rei de Portugal, antes da Batalha de Ourique.

Essa importante batalha, ocorrida em 25 de Julho de 1139, foi determinante para a instauração do reino português. Dela, cinco reis mouros saíram derrotados.
O feito adquiriu tal importância no contexto internacional da época que, a partir daquela data, Dom Henriques passou a utilizar o título de rei – da expressão rex – e o reino português passou a ser ainda mais reconhecido no mundo.
A descrição da aparição, chamada de Milagre de Ourique, surge na obra Anais de Santa Cruz de Coimbra.
Segundo estes documentos, Jesus Cristo teria aparecido ao monarca no céu dentro de um raio luminoso, rodeado de anjos, a incitar à vitória sobre os muçulmanos.
Como esta, outras aparições marcaram a história e o destino de Portugal durante os subsequentes séculos até o XX.



Um caso que é hoje utilizado como referência por parte da Ovnilogia moderna [Ufologia moderna] como exemplo de OVNI em formato de cruz ocorreu em 1513, no Mar Vermelho.
Não existe certeza quanto à data, mas se crê ter sido no mês de Abril que dom Afonso de Albuquerque, segundo vice-rei da Índia portuguesa, avistou no céu uma cruz vermelha e resplandecente.
Comandava uma frota de naus e viu o fenómeno na direcção do poente.
A ele se sobrepôs uma nuvem que acabou por se dividir sem interferir com a cruz ou reduzir sua luminosidade.
O fato foi interpretado como sinal divino, redentor e encorajador, uma vez que a navegação estava difícil na época.
O fato se encontra relatado na primeira pessoa pelo próprio dom Albuquerque, em carta enviada ao rei, dom Manuel I, em Dezembro daquele ano.
Posteriormente, foi descrito pelo historiador João de Barros.
Fenómenos na Antiguidade — Existem ainda outros casos que foram incluídos na categoria de fenómenos aéreos não explicados por não serem imediatamente associados à religiosidade.

Um exemplo consiste na observação de um notável fenómeno nos céus de Castelo de Vide, no Alentejo, em 1726.
Conforme descrito na Gazeta de Lisboa, de 07 de Novembro daquele ano, o fenómeno ocuparia uma considerável área do céu, em formato de serra de cor vermelha.
O artigo refere ainda ao tamanho estimado de quatro léguas, cuja largura corresponderia a um terço do comprimento.
Das descrições, consta ainda a referência a raios de luz provenientes do objecto, que iam perdendo e recuperando a cor.
O fenómeno durou horas, sendo que, após um acréscimo de intensidade luminosa, esta foi diminuindo até que todo o fenómeno desapareceu por completo quando a noite já ia alta.
O mesmo jornal, que era um veículo de referência na época, informou ainda que, dias antes, algo idêntico teria sido observado mais ao sul.

Também é bastante conhecido na Ovnilogia Portuguesa que o grande terramoto de 01 de Novembro de 1755 foi precedido pela observação de diversos globos de luz intensa sobre vários pontos do país.

Um dos mais interessantes casos portugueses, este avistamento ocorrido na localidade de Alfena, em setembro de 1990, foi registrado em foto. O objeto foi descrito como tendo aspecto metálico.

Terramoto de Lisboa - Uma tragédia destruiu 85% das construções de Lisboa e é considerada responsável pela morte de 90 mil lisboetas.
Todavia, muito provavelmente, tal luminosidade é o que a ciência denomina “luzes de terramoto”, um fenómeno de origem natural, ainda que controvertida, que ocorreria durante o cataclismo.
A primeira observação deu-se em 15 de Outubro, quando foram vistos, por várias vezes, globos voadores imensamente iluminados.
Outras observações ocorreram em 08 de Novembro, em que apareceram três “luas” sobre a cidade de Viseu, entre 14h00 e 15h00.
Estas ocorrências encontram-se registadas nas gazetas da época e são passíveis de consultas no arquivo geral da Torre do Tombo, que conta já com 600 anos de existência [A Torre do Tombo é o repositório da história portuguesa.

Importante contribuição dos pioneiros — Tais relatos começara a ser encaradas como potenciais ÓVNIS somente no século XX.
Esse próprio século encontra-se recheado de avistamentos ocorridos tanto em Portugal continental como nas suas ilhas, sendo que, com o advento da Ovnilogia como área multidisciplinar, muitos deles foram de imediato averiguados e outros só mais tarde foram resgatados por investigadores interessados.
Os portugueses, ao longo das últimas décadas, não só acompanharam o que se passava no exterior, através dos meios de comunicação social, como vivenciaram fenómenos em seu próprio território.
O país reflecte algumas das muitas observações de ÓVNIS de âmbito internacional, sendo esta correlação mais notória durante a década de 50.
Apesar de ter sido comum na imprensa portuguesa, durante a época da ditadura, notícias sobre a observação de discos voadores, não houve organização de grupos civis de investigação.

Há, no entanto, algumas personalidades interessadas que divulgaram o tema, das quais podemos destacar o jornalista Hugo Rocha, autor dos primeiros livros portugueses sobre ÓVNIS, e também Sánchez Bueno, com várias obras sobre o assunto. Bueno compilou tal número de notícias sobre avistamentos que, mais tarde, já nos anos 70, fundou o Centro de Estudos Cosmológicos e Parapsicológicos (CECOP), em Lisboa.
Contudo, o cenário alterou-se completamente depois da Revolução dos Cravos, em Abril de 1974, e do regresso da democracia, crescendo o interesse por novas ideias e assuntos tabus, entre os quais estavam os ÓVNIS.

Apesar de ter sido formado em 1973, ainda no período pré-democrático, o Centro de Estudos Astronómicos e de Fenómenos Insólitos (CEAFI)é uma das mais importantes associações da história ovnilógica portuguesa.
A entidade cresceu, em conjunto com outros grupos, na segunda metade dos anos 70, verdadeira época de ouro da Ovnilogia Portuguesa, quando existia não só maior número de grupos de investigação como publicações sobre a temática.
Na década de 80, o interesse pela Ovnilogia tornou-se mais moderado.
Depois da explosão na década anterior, mantiveram-se activos grupos como o CEAFI, que naquela década sofreu reestruturação e passou a ser designado por Comissão Nacional de Investigação do Fenómeno OVNI (CNIFO).
Permaneceu na presidência Joaquim Fernandes, figura de referência na história da Ovnilogia Portuguesa [Fernandes é correspondente internacional da Revista UFO].
No início da década de 90 surgiu a Associação Portuguesa de Pesquisa de OVNI (APPO), liderada por Vítor Moreira, que deu importante contribuição à investigação ovnilogias naquele período.

Na virada do século, com a desactivação dessas duas associações, a investigação dos ÓVNIS em Portugal foi quase nula, ressalvando-se, porém, os esforços de investigadores independentes.

Crédito 

Um caso OVNI: a aventura do Capitão Júlio Miguel Guerra 1982

“Cultura opõe-se a natura ou natureza, isto é, abrange todos aqueles objectos ou operações que a natureza não produz e que lhe são acrescentados pelo espírito (...). A religião, a arte, o desporto, o luxo, a ciência e a tecnologia são produtos da cultura.”António José Saraiva em "Cultura", colecção “O QUE É”, Difusão Cultural, 1993.
Modelo de avião idêntico ao pilotado por Júlio Miguel Guerra.
Quero começar o ano com algo completamente diferente, como dizem os Monty Phyton.
Não é meu costume escrever sobre relatos de OVNIs. Creio que é a primeira vez que o faço no tempo que este blogue já leva, desde Março de 2007.
Apesar disso, confesso que sempre fui um curioso do tema.
Acompanho há muitos anos os livros principais que vão sendo publicados, em Portugal ou no estrangeiro e julgo conseguir já diferenciar o trigo do joio, o trabalho sério do lixo.

E há muito lixo, infelizmente.

Um dos melhores livros publicados em 2010 sobre o tema, chama-se UFOs- GENERALS, PILOTS, AND GOVERNMENT OFFICIALS GO ON THE RECORD, da jornalista americana Leslie Kean. Na capa do livro, há esta frase de Michio Kaku: “Finalmente, um livro sério e cuidadoso acerca deste assunto controverso.
Cépticos e crentes nele encontrarão um tesouro de informação reveladora e perspicaz.
Este livro está destinado a definir um novo padrão de exigência para a pesquisa sobre os OVNIs”.

Uma das preocupações fundamentais quando se lê um livro com este tema, é saber quem são os “bichos” que os escrevem e o porquê.
Quais as motivações.
A jornalista Leslie Kean faz parte de um grupo “liberal”, da esquerda americana, o CFI – Coalition for Freedom of Information, e certamente por isso, o prefácio é assinado por John Podesta, um político influente, ligado às administrações de Clinton e de Obama, que contribuiu para a “desclassificação” e abertura ao público de muita documentação sobre os OVNIs.
Mas apesar de uma motivação política nada ingénua, há muita qualidade no trabalho apresentado, pois privilegia os factos, as provas e os depoimentos directos sobre as opiniões e os juízos, ou seja, é um livro bem feito e “sério”, como diz o – para mim insuspeito – conhecido divulgador científico, Michio Kaku.
E é isso que nos importa.

O capítulo quatro do livro chama-se “Circled by a UFO by Captain Júlio Miguel Guerra” e é escrito pelo próprio, na primeira pessoa.
O fenómeno ocorre numa manhã luminosa, sem nuvens, a 2 de Novembro de 1982, sobre o avião militar do então Capitão da Força Aérea Portuguesa, Júlio Miguel Guerra [mais tarde transferiu-se, em 1990 e após 18 anos de serviço, para a Portugália].
O seu avião foi circundado, ao mesmo tempo que se deslocava, por um OVNI, durante vários minutos, a Norte da cidade de Lisboa.
Outros dois pilotos de aviões militares, que se encontravam em voo e se aproximaram, testemunharam o acontecido. Em 1983 a Força Aérea Portuguesa promoveu uma investigação, com um grupo de cerca de trinta académicos e cientistas, sobre o caso.
Na altura o Chefe do Estado Maior da Força Aérea era o General Lemos Ferreira, ele próprio testemunha de um avistamento OVNI, em 1957.

Vale a pena ler o livro, que na Amazon se encontra com facilidade, quanto mais não seja pela narrativa de Júlio Miguel Guerra e pelo seu desenho daquele estranho objecto.
Gostaria ainda de sublinhar a coragem de Júlio Miguel Guerra, não apenas pela sua presença de espírito demonstrada naquele dia de 1982, mas também agora por vir a público.

Ricardo Esteves 

sexta-feira, 24 de abril de 2015

A incrivel noite de 14 para 15 de Julho de 1979

Na história da Ovnilogia Nacional Portuguesa, existem casos ainda fora do conhecimento geral do público.
Este é mais um dos casos nacionais que tem escapado de alguma forma do conhecimento geral.
Eis mais um fantástico caso ocorrido em 1979 por um grupo de jovens.

Os amigos próximos tratam-me por Jorge.
Nasci em Lisboa no ano de 1957 e em Julho de 1979 tinha a idade de 21 anos.

Talvez pelo facto dos meus progenitores terem origens no mundo rural, ou também talvez pela opressão provocada pela verticalidade das fachadas dos altos prédios dos novos bairros da cidade de Lisboa que limitam o nosso horizonte, desde cedo, na minha juventude, senti a necessidade de espaços abertos e logo que a minha independência económica permitiu, sempre procurei fugir da cidade à mínima oportunidade.

Assim, mal os primeiros calores da Primavera se faziam sentir, era a Costa da Caparica o destino mais habitual aos fins-de-semana.

Tal como em muitos outros anteriores fins-de-semana, também no Sábado, dia 14 de Julho de 1979, ao final do dia, após o jantar, eu, na companhia da Isabel e do nosso amigo Mário, (ambos com 18 anos na altura) encetámos o caminho para a praia apanhando no Cais do Sodré o ferryboat que durante toda a noite assegurava a travessia do Tejo.
A viagem de Lisboa à Costa da Caparica, com pouco mais de 20 quilómetros, era muito mais divertida, pelo trajecto de Cacilhas, do que a directa pela ponte sobre o Tejo.

Depois de bebermos mais umas imperiais nas cervejarias de Cacilhas, tomámos a camioneta da Rodoviária Nacional que saía desta localidade e que percorrendo a antiga estrada, pelo interior de diversas localidades, passando até pela Trafaria, chegava ao Largo dos Pescadores, na Costa da Caparica 30 a 45 minutos mais tarde.

Já no molhe semeado de pontões junto ao mar, seguimos, como habitualmente, para a esquerda, na direcção da Fonte da Telha, deixando para trás as praias centrais mesmo em frente ao núcleo habitacional da Costa da Caparica e caminhámos à beira mar até ao nosso local habitual situado à beira das dunas entre a Praia da Mata e a praia da Riviera.

Para aqueles que desconhecem o sítio, devo esclarecer que a Costa da Caparica para além de ser uma pequena (em 1979) localidade da margem sul do Tejo, é igualmente uma vasta extensão de areal à beira mar, onde as praias se vão sucedendo ao longo de mais de 15 km.

 É muito difícil precisar agora as horas com exactidão, mas certamente que por volta da uma hora da manhã de Domingo, 15 de Julho desse ano de 1979, já estaríamos devidamente instalados para passar o resto das horas que faltavam para o sol nascer.

 É uma sensação magnífica: Uma noite sem vento nem frio e o céu absolutamente limpo e claro.
O cobertor estendido na areia e eu nele deitado de barriga para o ar, a deslumbrar-me com as incontáveis luzinhas que brilham no firmamento, embalado por um fundo sonoro do suave e sereno marulhar das ondas de um mar calmo a desvanecerem-se na areia da praia a uns trinta metros de nós.
Também se escutavam vozes e risos de provenientes de uns vultos de um pequeno grupo de pessoas jovens que aquela hora, naquela esplêndida noite, chapinhava por ali perto nas águas mornas da Costa.


Do ponto onde estávamos, olhando para direita avistava-se ao longe a claridade da iluminação pública da Costa da Caparica.
Olhando para a esquerda, para os lados da Fonte da Telha, adivinhava-se e a silhueta da linha das falésias por entre a escuridão do vazio, onde porém, numa faixa mais clara à beira mar, cintilavam pequenos pontos de luz, aqui e ali, de fogueiras na praia de outros grupos que tal como nós viviam este ambiente.
Por detrás de nós, erguiam-se umas dunas com não mais de um a dois metros de altura, as quais, contudo, nos isolavam da luz e dos ruídos de um ou outro carro (particularmente das motorizadas) que passavam ocasionalmente na estreita estrada que, a 400 metros, entre a arriba e a mata rasteira que se estende até à praia, liga a Costa da Caparica à Fonte da Telha.

Os meus companheiros da aventura, conversavam sobre qualquer coisa, enquanto eu fechei por momentos os olhos, saboreando tranquilamente a noite amena.

Então, passados poucos segundos, eles interrompem a conversa e num tom de voz alarmado, gritam, “O que é isto? Olha, olha… mas que raio se está a passar? O que é aquilo que vai ali?”.

Ainda de olhos fechados, a primeira ideia que me passou pela cabeça, seria a de que eles me estivessem a pregar uma partida, ou a tentar despertar-me da sonolência que devagarinho se ia apoderando de mim, e, portanto durante mais uns segundos mantive-me impávido, esperando que eles desistissem da suposta partida que me queriam fazer.
Até que, perante a crescente intensidade e notório alarmismo das suas exclamações, resolvi dar-lhes atenção e abri os olhos.

No preciso momento em que abro os olhos fiquei completamente estupefacto.
A escuridão tinha desaparecido e estava em pleno dia.
Uma claridade intensa, sem contudo, incomodar a vista iluminava tudo a nossa volta.
Ainda deitado, os meus olhos percorreram o espaço, alargando o raio de visão desde o infinito na minha vertical até à linha do horizonte no sentido da beira-mar, e nesse momento descubro que a fonte da luz é proveniente de um objecto que vindo do lado do mar, lentamente, sobrevoava agora a praia.

Com um movimento brusco ergui-me e sentei-me de pernas cruzadas sobre o cobertor, sem conseguir pronunciar qualquer palavra perante o inexplicável que me estava a ser dado observar.

Olhando para a direita e para a esquerda verifiquei que a claridade era total, praticamente como se fosse dia, embora com uma luz suave.

Para a direita, conforme referi, fica a Costa da Caparica.
O ponto onde estávamos na praia, ficava a cerca de 2 km de distância do último pontão da Costa da Caparica. Com a claridade que se estava a manifestar, via-se perfeitamente a sua forma.

Olhei então em frente, para o mar, e a minha atenção foi momentaneamente distraída, porque reparei que o grupo de jovens que, do qual, momentos antes apenas se ouvia os risinhos e o chapinhar na água, era constituído de facto, por apenas duas jovens, que a coberto da escuridão tomavam banho sem qualquer peça de roupa, e que agora, surpreendidas pela luz e exposta a sua nudez, procuravam desesperadamente ocultar as partes íntimas, enquanto corriam esbaforidas da água para fora.

Olhei de seguida para a esquerda, para o lado da Fonte da Telha e a claridade iluminava toda a extensão da praia, até onde a minha vista alcançava.
Vi nitidamente, como se fosse de dia, os pequenos grupos de pessoas à volta das fogueiras pela praia fora.

Eu diria que a luz não fazia sombras.
Tenho a sensação que a claridade banhava tudo e todos sem se verificar a projecção de sombras, como sucede naturalmente.

Voltei a erguer os olhos e a fixar a atenção no objecto que apresentava claramente uma forma circular, e que nesse momento já passava por cima de nós ligeiramente à direita da linha vertical do ponto onde nos encontrávamos (talvez 50 metros à nossa direita).

A luz, de um branco cristalino intenso jorrava de um espaço central da parte inferior do objecto, mas nada comparado com um feixe de luz concentrada.
Pelo contrário não se percebia exactamente de que ponto dessa zona central inferior do objecto ela era projectada.
O efeito luminoso nessa área do objecto assemelhava-se mais a uma ténue névoa simultaneamente brilhante e difusa, não permitindo discernir as formas do objecto por cima dela.

Entre a zona do centro, de onde provinha a luz branca, e a área exterior do objecto circular, brilhavam, com intensidade variável, luzes de cores absolutamente fantásticas: Vermelhos verdes azuis, mas com uma claridade diáfana muito superior à nossa vulgar luz de Néon, transmitindo-me uma sensação de profundo conforto.
Por momentos senti o desejo e a ilusão de que seria possível voar ou deixar-me submergir por aqueles brilhos esmeralda, rubis e azuláceos que delimitavam claramente o perímetro daquela coisa voadora.

Por esses momentos, deslocando-se o objecto quase por cima do ponto onde estávamos, nem eu nem os outros conseguimos a vislumbrar forma da parte superior do objecto.
Contudo à medida que ele se foi afastando e quando cruzou a linha das Arribas, para no instante seguinte desaparecer do nosso raio de visão, era perceptível que não havia claridade nem nenhuma fonte ou forma de luz no espaço e na área por cima do objecto.

O objecto, sempre emitindo estas luzes, e num absoluto silêncio, foi-se afastando lentamente da praia, sobrevoou a mata e, mais adiante, passou por cima das arribas, ponto a partir do qual deixámos de o poder observar, ficando a praia de novo no negrume da noite, e nós os três, boquiabertos sem conseguir articular qualquer frase coerente.

Não consegui determinar nem o tamanho do objecto nem a altitude a que voava.
Mas posso tentar fazer alguns cálculos.

Assim, tendo como referência a altura das arribas da Costa da Caparica (perto de 50 metros), eu diria que o objecto não voaria a mais de 100 metros de altitude, e que o seu diâmetro teria no máximo 10 a 20 metros.
A sua trajectória foi no sentido Sudoeste – Nordeste num andamento lento mas constante e sem qualquer emissão de som, ruído ou vibração.
Desde que surgiu sobre o mar, perto da praia, até se sumir por cima das arribas, afastadas de nós cerca de 1000 metros, a sua passagem terá tido uma duração de 30 a 60 segundos.

Como tinha os olhos fechados, não vi o exacto momento inicial desta manifestação.
Mas a Isabel e o Mário, que estavam ao meu lado na conversa, disseram-me, que se fez dia de um momento para o outro.
Ou seja, a luz foi activada no momento em que o objecto estaria já muito próximo sobre a praia. Curiosamente, apesar da sua potência, eu de olhos fechados não senti a sua luminosidade.
Mesmo com os olhos fechados, normalmente, qualquer pessoa apercebe-se da claridade do sol. Mas, naquele caso, embora a luz emitida pelo objecto tenha produzido uma claridade semelhante à do dia solar, eu só dei por ela quando abri os olhos.
Eu, como toda a gente nessa época, já tinha discutido com muitos amigos sobre a temática dos Óvnis, e embora não negasse a possibilidade de existir vida inteligente fora do nosso planeta, a minha posição sobre os relatos de avistamentos era, até aquele momento, como a do São Tomé: “Ver para crer”.

Ninguém me convence de que aquilo que vi, que era claramente um engenho e não um fenómeno da natureza, seja fruto da tecnologia da espécie humana, pelo menos da actual espécie humana.
Um objecto voador que não emite qualquer som, mas que ilumina a noite como se fosse dia, com uma luz com propriedades irreais, sugere uma ciência que se estivesse na posse de qualquer sociedade humana, lhe daria um controlo absoluto sobre o mundo.

Por outro lado, embora sendo um engenho, não me venham com histórias de armas secretas americanas ou soviéticas (sim, ainda estávamos no tempo da Guerra Fria).
Aquilo era tecnologia para projectar a espécie humana para o caminho das estrelas e para mais perto de Deus.

Acredito que, sendo eventualmente tecnologia terrena, a sua existência e consequentemente a sua utilização por parte de uma nova e superior consciência humana, certamente que anularia a fonte do mal, ou seja, a miséria que a ganância económica gera por esse mundo fora e da qual surgem os conflitos locais, os regionais e por fim os mundiais.
Mesmo que o detentor dessa ciência fosse uma potência materialista, individualista, e ávida do domínio mundial, ela seria certamente usada para ganhar vantagem sobre as outras potências concorrentes aos recursos do planeta, nem que se tivesse de passar por uma fase de destruição e conquista dos outros povos logo, para o efeito, classificados de atrasados, primitivos e bárbaros, como tantas vezes fizemos ao longo da história da humanidade.
Portanto essa arma seria naturalmente revelada e usada, como a bomba atómica foi revelada e usada, dando início à presente era atómica.

Naquela noite, as minhas profundas reflexões não eram muito diferentes daquelas que atrás acabei de expor. Porém, já cansado da discussão que o avistamento do fenómeno gerou entre nós os três, decidi por um ponto final no assunto, avançando a sugestão de que apenas teríamos avistado a queda de algum pedaço do Skylab que tivesse ficado para trás.

O SkyLab foi a primeira estação espacial norte-americana, tendo sido colocada em órbita da Terra a 14 Maio de 1973. Pesava 100 Toneladas e embora estivesse previsto ficar por muitos anos em órbita, sucedeu que a sua missão tinha acabado prematuramente dias antes da noite dos acontecimentos agora narrados.

Com efeito, foi na quarta-feira, 11 de Julho de 1979 que ocorreu a sua reentrada na atmosfera, tendo-se de imediato despenhado no Oceano Índico. Foram também encontrados destroços na Austrália.

Foi em virtude deste acontecimento que a data precisa do avistamento do Óvni na Costa da Caparica, na noite do Sábado seguinte, ficou devidamente registada na minha memória.

Quando o Sol nasceu, no Domingo, ainda estávamos um pouco confusos com o sucedido, mas a teoria do pedaço do Skylab que tinha retardado a sua reentrada, evitava, entre nós, a discussão de questões sem resposta.

Habitualmente só regressávamos a casa, depois do pôr-do-sol, mas naquele Domingo, a praia perdeu o interesse, e pela hora do almoço já íamos a caminho de Lisboa.

Nós sabíamos que tínhamos visto um fenómeno inexplicável.
Observámos que outras pessoas que estavam nas nossas imediações naquela praia naquela noite também o viram.
Agora, no regresso a casa, estávamos longe de imaginar que centenas, talvez mesmo milhares de outras pessoas tivessem igualmente avistado sobre a região de Lisboa, nessa noite, um objecto voador não identificado.

Quando chegámos á “civilização” fomos surpreendidos pela informação dos jornais, da rádio e da televisão que referia diversas testemunhas de avistamento: Pessoas a passear no Marquês de Pombal; Automobilistas em diversos pontos da cidade; Pessoal da Torre de controlo do Aeroporto da Portela e até, supostamente, o comandante de um avião da TAP que na altura fazia a aproximação ao aeroporto de Lisboa.

Da imprensa desse dia, veja-se o que escreviam os extintos Diário de Lisboa e Diário Popular sobre o ocorrido.

Os acontecimentos aqui narrados passaram-se já há mais de 30 anos, e embora continuem vivos na minha memória, poucas vezes tenho comentado o assunto.
Quando até os familiares próximos duvidam do relato, e aqueles que acreditam fazem-no por condescendência, a atitude óbvia era ficar calado.

Durante estes anos todos, aqueles que viram e que contam a história do que se passou naquela noite sofreram humilhações, porque cada um de nós tem estado só e isolado.
É a palavra de uma só pessoa contra a de uma sociedade de cépticos ao seu redor.

Agora, que temos ao nosso alcance de um poderoso meio de comunicação, está na altura de, pelo menos, juntarmos os nossos relatos, para que a memória dos factos não se perca.

Saudações amigas a todos.
Lisboa 6 de Fevereiro de 2010
Jorge

Certamente que esta foi uma das muitas histórias que se encontram por ser reveladas por quem viveu algo de extraordinário e inesquecível.

Fonte

O estado da Ovnilogia em Portugal

No mundo da Ovnilogia sempre existiu encobertamento no assunto, desmistificações ou simplesmente alegações que fogem do seu contexto, levando a informação dos factos a ficção como se tudo se tratasse de um filme.

"Mesmo em Portugal existe uma serie de páginas na Internet que tentam desmistificar o assunto".

O assunto é levado com seriedade por parte dos muitos investigadores que ao longo dos anos dedicam a sua vida ao tema sem pedir um cêntimo pelas suas descobertas.
Tudo a bem da liberdade de informação na área da Ovnilogia Mundial "Disclosure".

Na década dos anos 40 a 70, eram muitos os investigadores e cientistas que desapareciam sem deixar rasto.

Será que essa moda vai regressar!

A evolução das comunicações nos dias actuais criou um grande tabú, onde a realidade se mistura com a ficção é um facto.
Porem em pleno Portugal, ocorre uma grande variedade de observações que vão além de simples Satélites, balões leds, reflexos e aeronaves militares ou civis.
Para muitos o estudo do fenómeno OVNI é uma perda de tempo, para outros o estudo é levado com seriedade e afinco.

Recentemente o Ufo Portugal, foi intimidado a exterminar a sua página no Blogger e Facebook.

Estaríamos incumbidos de realizar qualquer publicação sobre o fenómeno OVNI!
Sendo Portugal um país tão pequenino, repleto de um povo pacífico mas rico em observações, o que levará alguém a intimidar o assunto em pleno Portugal!

Temos conhecimento de militares que abordam o assunto, já outros se resguardam mantendo afastados desta vertente.
Os jornalistas apresentam interesse sobre o fenómeno, embora as redacções estejam incumbidas de argumentar o assunto.

Logo agora que sabemos que o Governo em Portugal, está a criar um controlo total da comunicação social.
Regressamos à ditadura onde a liberdade de expressão está sendo posta em causa, como também a publicação de tudo o que esteja relacionado ao fenómeno OVNI.

Será que estas observações, representam a incapacidade das forças militares sobre o controlo e segurança nacional do nosso espaço aéreo!
Será que as recentes publicações de observações, são na realidade a observação de algum desenvolvimento secreto no nosso país!

O que levaria alguém querer exterminar esta informação em Portugal!
O Ufo Portugal não baixa os braços, nem se deixa influenciar por ameaças.
A informação continuará a ser publicada como sempre o fez ao longos dos anos.

Com poucos recursos o Ufo Portugal tenta de todas as formas dar o seu melhor nesta área, tendo em conta que existe muito por fazer.
A falta desses recursos e equipamentos nos impossibilita de poder avançar mais, como a realização de investigações de campo a Norte e Sul do país.

Esta é uma luta árdua que em muito se tem tornado numa miragem.
O ser humano precisa despertar a sua consciência para a realidade e para os conhecimentos básicos que vão muito além das escolas e religião.
A física como a conhecemos, tem muitas outras vertentes a serem exploradas.

Todos os anos são realizadas novas descobertas.
Quando pensamos que descobrimos tudo, somos surpreendidos com mais e novas dessas descobertas.
Somos apenas um pequeno grão de areia no Universo.
É necessário fazer mais pela Ovnilogia que trabalha de forma gratuita, mas que é uma área que necessita urgentemente de ser remodelada.

A Ovnilogia necessita ser mais aprofundada, necessita de apoios de alguém que esteja disposto a financiar novos projectos de forma a que este estudo se torne mais eficaz.
Que a investigação em Portugal se torne também ela um exemplo para outros países.
Todo e qualquer apoio será bem vindo.
O Ufo Portugal é do povo e assim continuará a bem da informação nacional sobre o fenómeno OVNI.

quarta-feira, 22 de abril de 2015

Les Repas Ufologiques em colaboração com Ufo Portugal


Les Repas Ufologiques, entidade de investigação do fenómeno OVNI em França, une-se em colaboração com o Ufo Portugal a fim de partilha de informação entre ambos os países.

Em prol do Disclosure e de um livre árbitro nesta área, espera-se dar a conhecer aos colegas de França os muitos casos que ocorreram em Portugal.

Esta será uma mais valia onde iremos também dar conhecimento a publico de casos relevantes em França.

 Quem é "Les Repas Ufologiques"?

Esta entidade assume um papel extremamente importante, em análise de investigação, realização de encontros entre investigadores e crentes do fenómeno OVNI.
Estes encontros vão além de palestras a partilha de informação, avistamentos por parte de quem participa nestes eventos.

Só nos resta dar as boas vindas aos colegas de França e lhes dar a conhecer os misteriosos fenómenos que ocorrem em território nacional.

OVNIs ao longo da história na Europa

Segue uma série de imagens de Objectos Voadores Não Identificados observados por toda a Europa.
Croqui realizado após a observação e descrição avançada pelas testemunhas.
Interessante os resultados de todos estes desenhos.











OVNIs reaparecem na Serra da Gardunha.

Ao longo dos anos a Serra da Gardunha se transformou num símbolo nacional na observação de Objectos Voadores Não Identificados, o que torna o local enigmático pela sua história e mitologia existente ao longo dos anos.

Gardunha continua a dar que falar e as observações não param!

Residente na Gardunha e funcionário na aeronáutica com vista privilegiada, relata que tem observado alguns desses objectos misteriosos, com formatos que vão de esferas azuis, triangulares etc.
Segundo avança a testemunha estes objectos se fazem deslocar da Gardunha sentido Serra da Estrela.
Já foram observados aviões F-16 a realizar a mesma rota destes objectos, o que deixou a testemunha curiosa com o que ocorre naquela região.

A testemunha foi recomendada se manter em silêncio por alguns colegas na aeronáutica quando abordou o assunto destes avistamentos por ele realizado.

Abaixo um vídeo realizado na Covilhã a 18 de Abril deste corrente ano.



Gardunha necessita de uma investigação de campo exaustiva.
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