ENCONTROS IMEDIATOS DO TERCEIRO GRAU: A HISTÓRIA REAL POR TRÁS DO FILME
Entre os arquivos da Força Aérea dos Estados Unidos, os avistamentos de OVNIs e a imaginação de Steven Spielberg, onde termina a realidade e começa a ficção?
Quando Encontros Imediatos do Terceiro Grau chegou aos cinemas, em 1977, apresentou ao mundo uma história extraordinária: pessoas comuns a testemunhar fenómenos inexplicáveis, objetos voadores desconhecidos e uma possível tentativa de comunicação com seres extraterrestres.
O filme tornou-se uma das obras mais marcantes da história do cinema de ficção científica. Mas existe uma pergunta que continua a despertar curiosidade: terá Steven Spielberg utilizado acontecimentos reais investigados pela Força Aérea dos Estados Unidos?
A resposta é mais interessante do que parece. O filme não é a reprodução de um único caso comprovado, mas nasceu num período em que os Estados Unidos investigavam milhares de relatos de objetos voadores não identificados.
1. A Força Aérea dos Estados Unidos e os OVNIs
Depois da Segunda Guerra Mundial, os relatos de objetos voadores desconhecidos começaram a multiplicar-se nos Estados Unidos. Em 1947, o piloto Kenneth Arnold relatou ter observado objetos que se deslocavam a grande velocidade perto do Monte Rainier, no estado de Washington.
O episódio tornou-se um dos acontecimentos mais conhecidos da história moderna dos OVNIs e ajudou a popularizar a expressão «discos voadores».
Perante o aumento dos relatos, a Força Aérea norte-americana iniciou diferentes programas de investigação. Entre eles estiveram o Projeto Sign, o Projeto Grudge e, posteriormente, o famoso Projeto Blue Book.
O Projeto Blue Book funcionou entre 1952 e 1969. Durante esse período, foram registados 12.618 relatos de fenómenos aéreos não identificados. Segundo os resultados oficiais, 701 casos permaneceram sem explicação conclusiva.
2. Os avistamentos de Washington em 1952
Um dos acontecimentos mais conhecidos ocorreu em julho de 1952, quando vários objetos desconhecidos foram detetados nos radares próximos de Washington, D.C.
Os relatos envolveram operadores de radar, pilotos e testemunhas no solo. A situação ganhou dimensão nacional e levou a Força Aérea a organizar uma conferência de imprensa.
As autoridades apresentaram explicações possíveis, incluindo fenómenos atmosféricos e interpretações incorretas dos sinais de radar. Contudo, o episódio ficou conhecido como o «Washington UFO Incident» e continua a ser discutido por investigadores da história da ufologia.
Embora não exista prova de que os acontecimentos tenham envolvido naves extraterrestres, o episódio demonstra o ambiente de incerteza e interesse público que rodeava o fenómeno OVNI naquela época.
3. J. Allen Hynek: o cientista que ajudou a classificar os encontros
Uma das figuras mais importantes da investigação oficial dos OVNIs foi o astrónomo J. Allen Hynek.
Hynek trabalhou como consultor científico para os programas de investigação da Força Aérea dos Estados Unidos. Inicialmente, tinha uma posição bastante cética relativamente aos relatos de OVNIs.
Com o passar dos anos, porém, começou a considerar que alguns testemunhos mereciam uma investigação mais aprofundada.
Foi Hynek quem popularizou uma classificação dos chamados «Encontros Imediatos», dividindo os relatos em diferentes categorias.
Os três tipos de encontros
Primeiro grau: observação de um objeto voador não identificado a curta distância, sem interação física conhecida.
Segundo grau: observação acompanhada de possíveis efeitos físicos, como marcas no terreno, interferências ou alterações no ambiente.
Terceiro grau: relatos de observação de ocupantes ou entidades associados ao objeto voador.
Esta classificação tornou-se mundialmente conhecida graças ao filme de Spielberg.
4. Steven Spielberg e a inspiração para o filme
Steven Spielberg desenvolveu uma história que misturava ficção científica, testemunhos de avistamentos e a possibilidade de contacto entre a humanidade e uma civilização extraterrestre.
O realizador não apresentou o filme como uma reconstituição de um acontecimento militar específico. A obra foi construída a partir de várias ideias e referências relacionadas com o fenómeno OVNI.
Um dos aspetos mais interessantes é a presença de investigadores, militares e cientistas envolvidos na tentativa de compreender os objetos desconhecidos.
O filme também explora uma questão que continua a alimentar o debate sobre os OVNIs: será possível que alguns fenómenos observados no céu correspondam a algo que ainda não conseguimos explicar?
5. A misteriosa montanha e o encontro com os extraterrestres
No filme, várias pessoas começam a ter visões de uma formação rochosa que não conseguem esquecer. Essa imagem conduz os protagonistas até Devils Tower, no estado do Wyoming.
É nesse local que acontece a sequência mais emblemática da história: a chegada de uma enorme nave extraterrestre e o primeiro contacto entre seres humanos e visitantes de outro mundo.
A cena é inteiramente ficcional. Não existe confirmação histórica de que tenha ocorrido um encontro semelhante naquele local.
Ainda assim, a escolha de uma paisagem real ajudou a dar credibilidade visual à narrativa e tornou Devils Tower um destino associado à cultura OVNI.
6. O que é realidade e o que é ficção?
É importante separar os factos históricos dos elementos criados para o cinema.
Factos históricos:
- A Força Aérea dos Estados Unidos investigou milhares de relatos de OVNIs.
- O Projeto Blue Book existiu entre 1952 e 1969.
- Foram registados 12.618 casos no âmbito do programa.
- 701 casos permaneceram sem explicação conclusiva na avaliação oficial.
- J. Allen Hynek participou na investigação e desenvolveu a classificação dos encontros próximos.
- Os avistamentos de Washington, em 1952, foram um acontecimento real.
Elementos ficcionais:
- A história específica dos protagonistas do filme.
- A comunicação musical com uma civilização extraterrestre.
- A chegada da enorme nave a Devils Tower.
- O contacto pacífico apresentado no final da obra.
7. O relatório oficial e as perguntas que continuam em aberto
Em 1969, a Força Aérea anunciou o encerramento do Projeto Blue Book. A conclusão oficial foi que não existia evidência de que os fenómenos investigados representassem uma ameaça à segurança nacional ou que demonstrassem capacidades tecnológicas para além do conhecimento científico da época.
No entanto, a história da investigação dos OVNIs não terminou aí. Ao longo das décadas seguintes, continuaram a surgir testemunhos de pilotos, militares e civis.
Nos últimos anos, o tema voltou a ganhar destaque nos Estados Unidos, incluindo através de audições no Congresso e da divulgação de relatórios oficiais sobre fenómenos anómalos não identificados.
A existência de relatos e investigações oficiais não constitui, por si só, prova de visitas extraterrestres. Mas demonstra que o assunto continua a merecer atenção e investigação.
Conclusão: Spielberg contou uma história de ficção, mas inspirada num fenómeno real
Encontros Imediatos do Terceiro Grau não foi baseado numa única história comprovada da Força Aérea norte-americana. Foi uma obra de ficção construída num contexto histórico em que os OVNIs eram investigados oficialmente e despertavam enorme interesse público.
A ligação ao Projeto Blue Book, aos relatos de pilotos, aos acontecimentos de Washington em 1952 e ao trabalho de J. Allen Hynek ajuda a compreender o ambiente que inspirou o filme.
Talvez seja precisamente essa mistura entre realidade e ficção que mantém a obra tão fascinante quase cinco décadas depois.
Fontes e referências para investigação
UFO PORTUGAL
Investigação, história e mistérios do fenómeno OVNI.
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