domingo, 7 de agosto de 2016

Em Portugal menos de dez por cento das testemunhas falam sobre OVNIs


Prudência e o medo de ser ridicularizado ajudam a explicar cautela de quem conta o que viu.

Alfena, Valongo, 10 de Setembro de 1990. Nove da manhã, céu limpo, pouco vento e temperatura amena. Um grupo de crianças alerta para um "balão" que se desloca no céu. A notícia espalha-se rapidamente. Segundo uma testemunha, o objecto assemelhava-se a uma "tartaruga com pernas". Um morador faz uma sequência de quatro fotos do objecto.
Este é um dos 629 testemunhos de Objectos Voadores Não Identificados (OVNI), registados entre 1908 e 2000, que o Centro Transdisciplinar de Estudos da Consciência (CTEC), da Universidade Fernando Pessoa, investigou. Hoje o estudo é apresentado numa conferência intitulada O Imaginário Extraterrestre em Portugal no Século XX, no Porto, naquela universidade, às 18h00.
Entre as conclusões preliminares da investigação, que deverá arrancar com a segunda fase em breve, a que mais surpreendeu os estudiosos foi o baixo nível de associação destes fenómenos à presença de extraterrestres. Do total dos casos, 618 de nível local e 11 de amplitude nacional, apenas 58 testemunhos associaram o fenómeno a extraterrestres. Menos foram as pessoas (sete) que assumiram ter alterado as crenças, assumindo frases como "passei a acreditar" ou "fiquei convencido".

A "autocensura"
Para Joaquim Fernandes, co-fundador do CTEC e doutorado em História com a tese O Imaginário Extraterrestre na Cultura Portuguesa - Do Fim da Modernidade até Meados do Século XIX, a prudência, mas também o medo de ser ridicularizado, podem explicar o resultado. "As pessoas não sabem se o que viram era um detrito espacial ou um extraterrestre e é normal que em nome da prudência se reservem", afirma Joaquim Fernandes. E acrescenta: "Este processo também pode resultar de uma autocensura, com as pessoas a recearem serem ridicularizados do ponto de vista social."
Dos 629 relatos foram seleccionados 319, que permitiram aos investigadores registar efeitos físicos (suores, perturbações da visão, etc.), afectivos (medo, terror, alegria, etc.), cognitivos (reconhecimento ainda que mínimo do que se viu) ou a posteriori (sonhos, pesadelos, etc.). Nos restantes testemunhos, alguns recolhidos há várias décadas e com questionários não padronizados, foi impossível retirar qualquer efeito do fenómeno. Os registos foram todos adaptados a uma ficha de interpretação, elaborada há três anos, com o intuito de fazer a triagem da informação.

Mais casos no Porto
Os efeitos mais referidos, alguns em simultâneo, foram os cognitivos (176), com as pessoas que testemunharam o fenómeno a reconhecerem um mínimo de características no que viram ("penso que era" um objecto, um engenho ou um OVNI). Quase ao mesmo nível, com 174 referências, estão os efeitos afectivos, ou seja, a manifestação de uma emoção associada à visão. Menos significativos foram os efeitos físicos (34) e os a posteriori (15).
A maioria dos relatos, 67 por cento, foi testemunhada por homens e apenas 33 por cento por mulheres. A faixa etária entre os 21 anos e os 30 é a que regista um maior números de relatos (mais de 25 por cento), seguida de perto pela dos 10 aos 20 anos. Cinquenta e quatro por cento dos fenómenos registaram-se no meio urbano e 46 por cento no rural.
O Porto é o distrito do país com o maior número de casos (139) entre 1908 e 2000, mas Faro apresenta o maior índice por milhão de habitantes (94) no último quarto do século. Seguem-se Bragança, com um índice de 76 casos por milhão de habitantes no mesmo período; Coimbra, com 72; e só depois o Porto, com 66.


Mariana Oliveira

Matéria referente a 2006.

Estes são valores que o Ufo Portugal pretende aumentar como também ajudar o público a manter uma mente aberta e o observador a ganhar coragem de relatar a sua experiência sem medos, receios ou simplesmente tabus.

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